Publicado em
03/04/2025
às 14:11
Brasil
Um homem relatou que seu filho, de apenas nove anos de idade, recebeu de colegas de turma uma “carteira de trabalho” feita por eles, na qual constava o cargo de “pedreiro civil”, salário de “50 reais e 25 centavos por mês” e “jornada de trabalho de 18 horas por dia”, que fez com que o garoto passasse a ser alvo de chacota de colegas, que o chamavam de “CLT“. O caso teria ocorrido em uma escola particular de São Luís, no Maranhão.
“Crianças de 8, 9 anos. Pequenas demais para terem desenvolvido sozinhas esse desprezo tão afinado por trabalho, por direitos, por quem constrói – literal e simbolicamente – o mundo onde vivem. Isso não nasceu com elas. Alguém ensinou. Alguém naturalizou que trabalhar é castigo, que construir é menor, que um menino negro com carteira de trabalho é piada pronta. Esse caso não é um acaso”, diz o texto publicado no perfil de Ismael Filho, sobre o filho..
A publicação critica o modo como as crianças podem entender o trabalho quando são expostas a preconceitos com determinados ofícios. O texto lembra, ainda, de “séculos de luta, vidas imoladas em greves, corpos moídos em jornadas extenuantes” que “agora são motivos risíveis pra crianças no recreio”. “Aqui se cruzam três vias que nunca deveriam se encontrar. Não numa sala do 5.º ano. Racismo, bullying e o desmonte da consciência de classe. O riso dessas crianças é o eco de um mundo que ensinou a elas que umas vidas valem mais que outras. Que algumas profissões são motivos de piada”, lamentou.
Por fim, o texto lamenta que, aparentemente, colegas de turma de Gustavo acreditam que determinadas pessoas “foram feitas para segurar o cimento enquanto outras apontam para onde vai o prédio”.
“O problema é que pobre consciente é igual rachadura em prédio velho, pode até cobrir, mas cedo ou tarde aparece. Esse ‘caso isolado’ não vai ser soterrado”, conclui a publicação, feita na última quinta-feira, acompanhada de uma imagem do pequeno Gustavo sentado em uma estrada tocando um violão.
Em entrevista ao jornal local Imirante, Ismael agradeceu pelo apoio recebido nos últimos dias após a repercussão do caso.
“Saber que uma criança fez isso, imaginar a cabeça de uma criança fazendo isso, onde ela está aprendendo isso? É na internet, e isso é muito preocupante. Eu peço aos pais que conversem mais com os seus filhos, que entendam o que está acontecendo, que participem da vida digital dos seus filhos. Do contrário, nos teremos uma sociedade, no futuro bem próximo, altamente perigosa”, disse Ismael.
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