Publicado em
11/03/2026
às 16:16
Goiânia
Um homem acusado de engravidar a própria enteada após anos de abusos sexuais e tentar provocar o aborto do bebê da adolescente foi condenado a 4 anos e 7 meses de prisão em regime inicial fechado. A sentença foi definida durante julgamento realizado na segunda-feira (9), em Goiânia. A Justiça também determinou o cumprimento imediato da pena, e o Ministério Público do Estado de Goiás já solicitou a expedição do mandado de prisão.
As investigações apontam que a jovem morava com a mãe e o padrasto desde os três anos de idade. Quando chegou na adolescência, ela passou a sofrer abusos sexuais cometidos pelo homem dentro da própria casa que seguiram ao longo de oito anos. Quando descobriu que estava grávida, já no quarto mês de gestação, o agressor começou a fazer pressão e violência psicológica para ela interromper a gravidez.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MP), o homem afirmava que a mãe da vítima ficaria decepcionada com ela caso descobrisse o crime e que ele era a autoridade dentro da casa, tentando impedir que a adolescente revelasse os abusos.
Conforme consta no processo, o acusado obrigou a adolescente a realizar duas tentativas de aborto enquanto estava com a vítima, fornecendo medicamentos e aplicadores vaginais. O padrasto ainda acompanhava a vítima em exames de ultrassom após cada tentativa para verificar se a gravidez havia sido interrompida.
Na terceira tentativa, o homem teria feito novas ameaças e deixado os remédios para que a jovem tomasse sozinha enquanto viajava com a companheira para São Paulo. Após ingerir os medicamentos, a adolescente passou mal e começou a sangrar. Um primo percebeu a situação e a levou para uma unidade de saúde.
Apesar das tentativas de aborto, a gestação continuou e o menino nasceu em fevereiro de 2020 com 29 semanas e quatro dias de gestação. A jovem só conseguiu revelar para mãe sobre os abusos e sobre a paternidade da criança três anos após o nascimento do filho. Atualmente, o menino tem cinco anos. Um exame pericial confirmou que o agressor é o pai biológico da criança.
Na acusação, apresentada pelos promotores de Justiça Renata de Oliveira Marinho e Sousa e Eduardo Silva Prego, os jurados concluíram que o padrasto utilizou violência psicológica, ameaça e a relação de autoridade dentro da família para tentar forçar a adolescente a interromper a gestação.
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