Sexta-feira, 22 de Maio

Suspeito morto em confronto com PMs articulava roubo para julho em Goiás

Publicado em 22/05/2026 às 14:01
Goiânia

A Polícia Militar divulgou, nesta sexta-feira (22), o conteúdo das mensagens de áudio encontradas no celular do criminoso que morreu em confronto com a Companhia de Policiamento Especializado (CPE) no Conjunto Vera Cruz, em Goiânia. O material, que já está em poder da equipe de inteligência, revela o planejamento minucioso de um grande assalto — batizado pelo suspeito como “festa” ou “dançar a quadrilha” — previsto para acontecer no mês de julho.

Nas gravações, o homem detalha a necessidade de carros clonados de grande porte, comemora a soltura de um comparsa e afirma que o dinheiro do roubo seria suficiente para todos os envolvidos “sumirem do mapa” e viverem escondidos da polícia.

Em um dos trechos mais contundentes, o investigado demonstra preocupação com a tecnologia de monitoramento das forças de segurança. Ele pergunta explicitamente a um comparsa sobre o mercado de veículos roubados e os riscos de rastreamento. “Como é que tá essas movimentação de carro, moço? Esses carro roubado aí, como é que tá esse trem de rastreador? (…) Nós vai precisar pelo menos de uns dois carro. Entendeu? Uns carro grande, né? Tem que ser uns carro bom, uns carro mais alto”, planejava o suspeito.

Logística contava com detento que ia progredir de regime

Os áudios provam que o crime organizado monitorava o calendário do Poder Judiciário. O suspeito revela que o líder ou um dos principais articuladores do plano estava prestes a ser beneficiado por uma progressão de regime. “Que o irmão lá já tá sossegado… Parece que ele vai tirar agora, dia primeiro agora já sai o processo dele tirar. Aí o que que acontece? A gente tá querendo dançar a quadrilha já e ficar de boa”, afirma o homem, usando a expressão “dançar a quadrilha” como código para a execução do assalto.

Em uma das gravações, o suspeito tenta recrutar antigos parceiros, com quem afirma ter enfrentado dificuldades no passado, e promete uma divisão dos ganhos capaz de proporcionar umas “férias prolongadas” do mundo do crime. Segundo ele, o plano seria executado de forma discreta e renderia dinheiro suficiente para que os envolvidos passassem anos sem se preocupar com a polícia.

“Um dinheirinho é um dinheirinho bom lá da festa lá para a gente sair fora no mundo aí e ficar de boa. Quem pegar o seu e souber administrar, vai ficar um bom tempo de boa. É um trem que nós vai resolver no sapatinho lá e sossegar, dar um tempo aí, ficar de boa. Sair fora e correr desses polícias aí”, desabafou o suspeito.

Na ação, os policiais encontraram explosivos, que precisaram ser detonados de forma controlada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), além de armas de fogo, incluindo uma arma longa, munições e outros materiais supostamente utilizados pelo grupo criminoso.

Com a morte do suspeito no confronto, o foco da Polícia Civil e do serviço de inteligência da PM agora é identificar e prender os comparsas que aparecem nas conversas, incluindo o homem que estava prestes a ser beneficiado pela progressão e o intermediário que receberia as instruções.

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