Publicado em
17/07/2026
às 17:20
Uruana
A virose que atinge as lavouras de melancia em Uruana e cidades da região tem causado grandes prejuízos aos produtores e impactado diretamente a economia local. O alerta é do engenheiro agrônomo e proprietário da Prosagre, Projetos e Serviços Agropecuários, Carlos Manoel Martins de Andrade, que acompanha de perto a situação enfrentada pelos agricultores.
Segundo Carlos, o problema não é inédito. Ele relembra que a mesma situação ocorreu entre os anos de 1993 e 1994, quando a doença devastou as plantações e obrigou muitos produtores a migrarem para outras regiões que não haviam sido afetadas.
De acordo com o engenheiro, em 2024 a virose voltou a atingir as lavouras e, neste ano, a situação se agravou. Atualmente, a doença alcança praticamente 100% das áreas cultivadas em Uruana e municípios vizinhos. Como consequência, diversos produtores têm abandonado as plantações antes mesmo da colheita para reduzir os prejuízos, já que os frutos não conseguem se desenvolver adequadamente.
Carlos explica que não existe um controle eficaz para o vírus. Segundo ele, há apenas medidas paliativas voltadas ao controle do inseto transmissor da doença, mas que não eliminam o problema.
A gravidade da situação também tem provocado a migração dos produtores para outras regiões onde a virose ainda não foi registrada. Isso, conforme o agrônomo, reduz significativamente a produção em Uruana e afeta toda a cadeia econômica ligada à cultura da melancia.
Ele destaca que, em 2026, a área plantada na região é muito menor do que em anos anteriores. Com a baixa oferta do produto, o preço do quilo da melancia aumentou consideravelmente. Já os produtores que conseguiram plantar em municípios livres da doença têm obtido melhores resultados.
Carlos ressalta que os impactos vão muito além das propriedades rurais. "Uma cidade que emprega diretamente e indiretamente mais de 3 mil pessoas acaba sendo fortemente afetada. Postos de combustíveis, restaurantes, transportadoras e diversos outros setores ficam praticamente parados, prejudicando toda a economia. Para Uruana, isso representa um grande atraso, já que o prejuízo é muito grande", afirmou.
O engenheiro também faz um comparativo com os períodos de maior produção. Segundo ele, em anos de safra normal era comum ver filas de aproximadamente 200 a 300 caminhões saindo diariamente carregados de melancia. Atualmente, devido aos efeitos da virose, esse número caiu para cerca de 10 a 15 caminhões por dia, evidenciando a forte redução da produção e os reflexos econômicos para toda a região.
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